Livro “Polinizadores no Brasil”: trajetória, importância e repercussões

Acontecerá na próxima quarta-feira, dia 13 de novembro de 2013, a entrega da 55º edição do Prêmio Jabuti na Sala São Paulo. O livro “Polinizadores no Brasil” – organizado por Vera Lucia Imperatriz-Fonseca (USP-Participante do BioComp), Dora Ann Lange Canhos (CRIA), Denise de Araujo Alves (USP-Participante do BioComp) e Antonio Mauro Saraiva (USP-Coordenador do BioComp) – recebeu o terceiro lugar na categoria Ciências Naturais (http://bit.ly/17CLlC2).

Trajetória

Em 2008, o Dr. César Ades, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA), criou o grupo de estudos de Serviços dos Ecossistemas do IEA com o objetivo de iniciar os seus trabalhos focalizando o tema “Polinizadores no Brasil e serviços ambientais”, sob a coordenaçãoo da Drª Vera Lucia Imperatriz-Fonseca. Com um projeto encomenda do CTAGRO/CNPq (processo 575069/2008-2), foram reunidos 85 pesquisadores (oriundos de 38 instituições científicas em 16 estados brasileiros) especializados em biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais de polinizadores.

Durante os 3 anos seguintes da criação deste grupo de estudos, o objetivo principal foi a elaboração de um texto contextualizando o estado da arte sobre os polinizadores no Brasil, o seu impacto na biodiversidade, na agricultura e no agronegócio. Esse texto originou o livro “Polinizadores no Brasil: Contribuição e Perspectivas para a Biodiversidade, Uso Sustentável, Conservação e Serviços Ambientais”, publicado em 2012 pela Edusp (http://bit.ly/18UIHS1).

Importância

“Este é o primeiro livro, publicado no país e em português, que trata do estado da arte do conhecimento sobre polinizadores no Brasil, tanto em áreas naturais como nos agroecossistemas. A preocupação com a polinização, como um elo entre conservação e agricultura, permeia nossas atividades. O desaparecimento das abelhas, detectado a partir de 2007 no hemisfério norte, trouxe uma preocupação adicional aos países desenvolvidos e uma busca por respostas de ações concretas para reverter este quadro. Porém, até o momento, não sabemos como se inicia a síndrome do desaparecimento das abelhas, caracterizada pela mortalidade repentina de toda a população das colmeias da abelha melífera. Na América do Norte, a perda tem sido de 30% das colônias por ano, com necessidade de importação de abelhas para promover a polinização na agricultura. Na Comunidade Europeia, a perda também é expressiva e preocupante. No Brasil, os primeiros casos foram detectados em 2011. Este é um exemplo dos riscos de perda dos serviços de polinização, especialmente quando a agricultura é dependente de uma espécie de polinizador.” Trecho do texto de Orelha do livro, por Braulio Ferreira de Souza Dias – Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Dentro deste cenário de desaparecimento de um dos polinizadores mais utilizados comercialmente, uma publicação como esta é de extrema importância, “pois cerca de 88% das plantas com flores e 35% das culturas agrícolas são dependentes de animais para polinização, um serviço ambiental regulatório vital. Embora o declínio de populações de polinizadores seja uma preocupação mundial, esta é mais pronunciada nos trópicos, onde a grande maioria das espécies arbóreas depende de animais polinizadores e onde há uma forte pressão antrópica sobre áreas naturais preservadas para finalidades agrícolas.”(blog do CRIA http://bit.ly/1a4uKEH)

Apesar de ter um foco grande nas abelhas (principais polinizadores), o livro também trata de polinizadores vertebrados – como os morcegos, pássaros e alguns mamíferos – e de outros invertebrados também importantes, como mariposas e besouros.

Além da questão do desaparecimento das abelhas, o livro enfoca a conservação dos ecossistemas que mantém esses animais, a importância da paisagem agrícola para os polinizadores, o perigo dos defensivos agrícolas, as bases de dados com informações de biodiversidade de polinizadores, plantas e suas interações, e também apresenta cenários futuros para alguns polinizadores a partir estudos de modelagem ecológica fundamentados nos cenários previstos de mudanças climáticas esperadas.

A partir das reflexões propostas em cada capítulo, seguem sugestões para implementar políticas públicas e boas práticas agrícolas. “Estamos em uma nova era, o Antropoceno, em que a população humana domina a Terra e cresce vertiginosamente. Essas pressões sobre os serviços ambientais valorizam toda a possibilidade de aumento de produção agrícola em pequenas áreas, sugerindo um novo desenho da paisagem, amigável aos polinizadores, e práticas de manejo mais adequadas. Além disso, as externalidades, como as mudanças climáticas globais, exigem um novo diálogo entre ciência e sociedade. O livro introduz as bases deste diálogo, e estimula a integração entre os setores público e privado.” (blog do CRIA http://bit.ly/1a4uKEH).

Repercussões

O lançamento do livro foi notícia em alguns portais que tratam do assunto e ganhou uma ótima matéria na Agência FAPESP (http://bit.ly/1aoAGVP), culminando na premiação do 3º lugar do Prêmio Jabuti 2013 na área de Ciências Naturais.

Atualizado

Fotos da Cerimônia de entraga do Prêmio Jabuti:

premio jabuti 1 premio jabuti 2 premio jabuti 3

Vídeo dos organizadores e editor recebendo o prêmio:

Links relacionados:

Site do livro

Loja virtual da Edusp

Blog do CRIA