Modelagem, análise e tomada de decisão em biodiversidade

Conciliar o desenvolvimento social e econômico com a conservação ambiental é um enorme desafio. Estratégias para o desenvolvimento sustentável baseiam-se cada vez mais na disponibilidade de dados de qualidade e de ferramentas analíticas, além da conscientização dos cidadãos no que se relaciona às questões ambientais. Existe uma forte demanda por respostas rápidas para resolver problemas específicos associados com a ocorrência e distribuição de espécies biológicas, como espécies invasoras ou ameaçadas de extinção. As respostas irão cada vez mais depender do acesso à informação, da integração de fontes distribuídas de dados e do uso de ferramentas avançadas para análise, visualização espacial e para a construção de diferentes cenários (LEADLEY ET AL., 2010).

Sistemas computacionais de modelagem e análise são fundamentais para apoiar a tarefa de tomada de decisão envolvendo a identificação de regiões que apresentam alto risco de perda de biodiversidade. Tais ferramentas são importantes por possibilitarem direcionar esforços de preservação ambiental para as regiões e espécies mais ameaçadas. Segundo Pereira e Peterson (2001), o uso de ferramentas de modelagem pode auxiliar na conservação da biodiversidade, no planejamento de uso de regiões não habitadas, previsão de invasão de espécies, no projeto de programas de reintrodução de espécies e até mesmo no projeto de proteção de espécies ameaçadas de extinção. Além disso, tais ferramentas podem ajudar a compreender os efeitos das mudanças climáticas e outras alterações na distribuição geográfica de espécies (SANTANA ET AL., 2008).

Como exemplo de modelagem de biodiversidade, pode-se citar estratégias quantitativas para a modelagem de distribuição de espécies. Este modelo é baseado no conceito nicho ecológico definido por  Hutchinson (1957).  Tais modelos são construídos agrupando e classificando os dados coletados do ambiente, a fim de criar um conjunto de pontos de dados inter-relacionados: o nicho ecológico.Dessa maneira processo de modelagem de espécies torna-se complexo, devido à diversidade da natureza dos dados e principalmente porque exige o tratamento da ausência  de dados necessários para construir um modelo confiável (CORRÊA ET AL., 2009).

Além disso, pode-se considerar a utilização de sistemas computacionais para facilitar negociações envolvendo conflitos gerados em decorrência de questões ambientais e para apoiar a tomada de decisão em relação a políticas públicas voltadas ao meio ambiente. Este assunto tema de pesquisa e desenvolvimento envolvendo grupos oriundos da Comunidade Européia e do Brasil [htttp://www.negowat.org].

Portanto, a pesquisa e o desenvolvimento de soluções computacionais para os problemas de modelagem, análise e tomada de decisão em biodiversidade, bem como o estudo de técnicas adequadas para o tratamento das questões relacionadas ao seu gerenciamento, é de grande importância para o desenvolvimento sustentável.

Pesquisadores

  • Anarosa Alves Franco Brandão
  • Anna Helena Reali Costa
  • Antônio Mauro Saraiva
  • Cristina Yumi Miyaki
  • Edson Midorikawa
  • Fabiana Soares
  • Jaime Simão Sichman
  • Liria Matsumoto Sato
  • Leônidas de Oliveira Brandão
  • Maria Cristina Arias
  • Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa
  • Ricardo Luis de Azevedo Rocha
  • Silvana Buzato
  • Lucia Garcez Lohmamn
  • Vera Lucia Imperatriz Fonseca
  • Valdinei Freire da Silva
  • Alfredo Goldman
  • Diana Adamatti
  • Fabio Kon e Helder Coelho